FERROGRÃO: UMA QUEDA DE BRAÇO ENTRE MULTINACIONAIS E POVOS DA FLORESTA
Lideranças indígenas Kayapó Mekrãgnotí e Munduruku do Alto Tapajós relatam os impactos e a violação de direitos como a falta de consulta prévia, livre e informada
A luta dos povos originários da Amazônia não é de hoje. A caminhada para garantir a manutenção da vida, cultura e ancestralidade é diária, e isso requer muita resistência. Afinal, os povos indígenas lutam não somente pelo território, mas também pelo não apagamento de suas histórias.
E um novo projeto previsto para a Amazônia tem tirado o sono e deixado algumas lideranças indígenas alertas. Isso porque o novo empreendimento vai implicar em mais pressão sob seus territórios, além de desmatamento, impactos na caça e pesca e, portanto, na segurança alimentar dessas famílias.
O projeto citado é o da Ferrogrão (EF-170), um empreendimento ferroviário planejado para consolidar um corredor de exportação de soja e outros grãos do agronegócio entre o norte do estado do Mato Grosso até os portos fluviais de Miritituba, distrito de Itaituba no estado do Pará, às margens do Rio Tapajós.
De acordo com Brent Millikan, membro da Secretaria Executiva do Grupo de Trabalho (GT) Infraestrutura e Justiça Socioambiental, os estudos para a Ferrogrão começaram em 2016, encomendados por um consórcio de grandes empresas. “São um grupo de tradings do agronegócio (Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi) que contrataram as empresas de consultoria Estação da Luz Participações e DLP para estruturar um projeto técnico e facilitar negociações com o governo federal. Ainda em setembro de 2016, durante o governo Temer, o projeto já estava inserido no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) prevendo uma parceria entre o setor público e grupos empresariais, e já naquela época sendo tratado como empreendimento prioritário, mesmo com a viabilidade ambiental, social e econômica questionáveis”, ressalta Brent.

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